Taca preda

Atire a primeira preda. Ciclismo, cinismo, saúde, cinema, música e tudo o mais que eu queira falar e você não queira ouvir.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010



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Marcela Viciano. Pasional...

por Lucia Helena Corrêa


O sabor das grandes paixões. Dessas que rodopiam pelo salão, em ritmo de bolero e de tango... Mas, também, no remelexo do samba (sem sotaque!), de temperos carioca, paulista e baiano. Tudo isso e muito mais nos revela a canção da cantora e compositora argentina Marcela Viciano, atração desta sexta-feira, dia 15 de janeiro, às 22 horas, no Lua Nova Arte & Bar.


Há quase um ano, Marcela Viciano aqui esteve, para lançar o CD “Mar de adentro”, de produção própria. Irremediavelmente apaixonada pelo Brasil, logo se filiou ao Clube Caiubi de Compositores, a maior comunidade virtual de compositores independentes no País, e fez parcerias com alguns dos compositores da rede, entre eles, Léo Nogueira. Agora, está de volta, com o show Pasional, que traz velhas e novas canções.


Marcela Viciano sobe ao palco acompanhada da paulistana Karin Marins, ao violão. Músicos especialmente convidados: Ayrton Mugnaini (contrabaixo), Laércio Muniz (bateria e percussão) e Tato Fischer (teclados).


Quem abre o show é a também cantora-compositora Lucia Helena Corrêa, esta mesma que lhes escreve. Honradíssima.

SERVIÇO

Show Pasional por Marcela Viciano

Abertura Lucia Helena Corrêa


Quando?

Dia 15 de janeiro, sexta-feira, às 22 horas


Onde?

Lua Nova Arte & Bar

Rua Coselheiro Carrão, 451, Bixiga, São Paulo

(esquina com a Rua Treze de Maio)


Ingressos?

R$ 15,00


Reservas?

011-2538-2017


segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Ainda vivo!

Sim, eu sumi do blog, me desculpem. 

Apesar de ter alguma coisa sobre cálculo renal no blog e a maioria dos acessos ser sobre isso, este é um blog sem linha definida. Bela forma de falar "escrevo o que quero aqui!", não? E na hora que quero, acrescentaria.

Agora vim aproveitar a audiência que consegui com a Nina e postar algo de interesse pessoal. Além de tudo que eu faço mal, ainda toco bateria. E vai ter show... Não dá pra contar agora a história de como consegui tocar com um músico de uma banda que eu curtia muito nos anos 80: Ayrton Mugnaini, do Língua de Trapo e depois também do Magazine. Terei a honra de tocar com ele no lançamento de seu novo livro:

Biografia de Elvis Presley será lançada no Café Piu-Piu

No dia 12 de janeiro a editora Nova Alexandria lançará O jovem Elvis Presley, livro que integra o projeto editorial Jovens sem fronteiras. A proposta desta coleção é mostrar a origem e o arcabouço que levaram estes jovens a se tornarem grandes personalidades. Entre os volumes já publicados estão O jovem Martin Luther King, O jovem Lennon, A jovem Pagu, O jovem Che Guevara, entre outros. 

Em O jovem Elvis Presley acompanhamos como um caminhoneiro e porteiro de cinema de Memphis tornou-se um dos pioneiros do rock’n’roll; como um dos primeiros “brancos que cantavam como negros” tornou-se o cantor mais popular e idolatrado de todos os tempos. Escrito por Ayrton Mugnaini Jr. – jornalista e músico, autor de Breve história do rock – o livro narra desde a infância de Elvis em Tupelo, passando por seu sucesso mundial em 1956 e o segue até o fim de sua vida.

O lançamento ocorrerá no Café Piu Piu, a partir das 21 horas com o show da banda Elvisongs, liderada pelo próprio Mugnaini. Uma grande oportunidade para relembrar as canções do rei do rock e conhecer sua história.


Ficha Técnica do livro:
Título: O jovem Elvis Presley
Autor: Ayrton Mugnaini Jr.

Café Piu Piu
Rua 13 de Maio, 134
Bixiga/ São Paulo
Tel: (11) 3258-8066
http://www.cafepiupiu.com.br/

terça-feira, 31 de março de 2009

Fim de semana, festa da faculdade da mulher. Ano de formatura, sabe como é. Churrascão, bebida à vontade, música alta seguindo a regra ( > som, <>

Aí é que tá... dirigir embriagado é crime. Coisa feia, molecada!

segunda-feira, 30 de março de 2009

Ninguém entende

Outro dia (ontem) joguei no twitter:

"Não estou seguindo @ninguem."

Quem me conhece há algum tempo sabe que eu jogo umas frases bestas no ar. Pra mim e para alguns elas fazem sentido, claro, mas pra outros elas são só isso: frases bestas. Perdigotos filosóficos, já me disseram, e eu concordei.

O engraçado dessa vez é que 3 pessoas pararam de me seguir depois dessa frase. Talvez por levarem pelo lado pessoal e acharem que eu não me importava com o que eles dissessem. Cá pra nós, não me importava, acho que até por isso estou contando aqui. E também porque sumi do blog, tenho que dar as caras de vez em quando, não é? (Tudo bem com vocês? A família, as criança? Bem também, brigado.)

Se tivesse dito "Não estou seguindo ninguém" provavelmente eles também deixariam de me seguir. Só que essa frase é igual a "estou seguindo alguém", concordam? A negação de uma negação (não - ninguém) é uma afirmação. Pelo menos era no meu tempo.

Pois bem, em tempos de twitter, uma arroba faz toda a diferença. Existe o usuário @ninguém. Não o sigo. Logo, minha frase é apenas o de sempre: mais uma frase besta.

Vai ver eles pararam de me seguir só porque sou besta, mesmo.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Pelados na Paulista


Arte: Murissocas

Ano passado fui com meu filho. Queria que ele participasse de um momento histórico desses no ciclismo urbano nacional. Uma das metas que fixei naquele dia é que tiraria toda a roupa esse ano se conseguisse emagrecer o tanto que queria. Mas tive um acidente (depois eu conto) e adiei este plano. Que sorte tem quem não vai me ver, hein?

Ano passado rolou até um papo com a Renata Falzoni que está no youtube. A matéria me rendeu uma certa notoriedade, cheguei até a ser reconhecido na rua. Não me bateram. Veja aqui.

Teve gente presa. Uma pessoa, entre dezenas de pessoas nuas. Isso é um problema? Valeu a pena? Leia a opinião do preso.

E por que esse bando de doidos (não sou corintiano :p)  fez isso? Leia a opinião deles, ora!

quarta-feira, 4 de março de 2009

O melhor povo do mundo

Acabo de receber um email contando onde a CET esconde radares em São Paulo. Recebi várias cópias de pessoas diferentes, o que sinaliza que essa informação é importante para estas pessoas, e certamente para alguns dos destinatários. 

Este email lembrou de outra situação que presenciei várias vezes em estradas diferentes. Há uma patrulha da polícia à frente. Os carros que passam por ela fazem sinais para os que vêm em sentido contrário avisando sobre a tal patrulha. Já vi carro velho e gente suspeita parando no acostamento e dando meia volta para evitar ser pego. Já vi motorista em altas velicidades diminuindo bruscamente pra fuir do flagra. O que os motoristas "solidários" fizeram? Provavelmente impediram a detenção de gente perigosa, a retirada de circulação de carros sem condições de uso e deixaram impune um às no volante assassino em potencial. Esse tipo de gente pode reclamar de violência nas ruas e de acidentes de trânsito?

Para que serve esse email me avisando que há radares novos escondidos? Para que eu siga a lei nesses pontos? O autor do email supõe que eu ande como um louco pra chegar ao próximo farol fechado? Me sinto ofendido. Sigo a lei, com ou sem radar. Não ando a velocidades superiores que o permitido para minha segurança e para a segurança das demais pessoas fora do meu carro quando estou dirigindo. Pedestres e ciclistas, papéis que assumo com frequencia cada vez maior, têm a minha preferência. Já pensei até em mandar fazer um adesivo: "Cuidado, eu sigo as leis de trânsito" pra ver se acalmo os pilotos que grudam na traseira querendo chegar logo no próximo congestionamento.

Outra aberração do email: avisar que há equipamentos instalados em faixas de pedestres. Que absurdo, não? Onde já se viu não poder parar em faixa de pedestre... Onde é que esse mundo vai parar. Já sei: vai parar dentro de um carro num congestionamento monstro, e bem em cima da faixa de pedestre.

Pra fechar com chave de ouro a mensagem há indicações de onde há máquinas que multam automaticamente quem está furando o rodízio. Ora, se o rodízio existe para melhorar o trânsito, por que dar dicas pra que ele seja burlado? Merecem todos ficar parados no trânsito, mesmo.

Esses dias li alguém que disse muito apropriadamente: "Querem acabar com a indústria de multas? Simples: parem de cometer infrações". 

Toda generalização é imprecisa, inclusive esta, mas a impressão que estão conseguindo passar é que todo motorista é, antes de tudo, um pulha.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Pedras

O assunto mais procurado no meu blog antigo é cálculo renal. Mais especificamente um detalhe do pós operatório: o catéter "duplo J". Já passei por esse procedimento 3 vezes, então acho que posso dar uns toques a quem está passando ou irá passar por isso. Uma leitora comentou aí embaixo que eu a assustei, mas gostaria de tranquilizá-la: quando bem feita, a retirada do catéter é indolor. Vamos à minha experiência:

Infelizmente sou um bom produtor de pedras nos rins. Com uns 20 anos tive o primeiro episódio. Um cristalzinho de nada levou duas semanas pra sair, produzindo dores que me impediam de dormir e trabalhar. Na época os médicos receitavam um medicamento que deixava a urina grossa e colorida, e eu tinha que torcer pra pedra sair do jeito que fosse. Depois das tais duas semanas nasceu um cristalzinho lindinho. Os médicos já não receitam os remédios que alteram a urina, apenas recomendam o aumento no consumo de água. E a mesma torcida pra que a pedra saia antes que você exploda.

Só tive que passar por isso de novo 10 anos depois, com mais um cristalzinho que me tirou de circulação por uma semana. Depois disso praticamente todo ano tinha uma crise com maior ou menor intensidade, mas sempre expeli o cálculo sem problemas. Já me achava profissional na arte de botar pedra pela urina.

Aí veio uma crise mais forte. Como estava calejado, achei que o cálculo seria expelido naturalmente mais uma vez. A dor já estava normal pra mim. Era ter dor, ir pro hospital, Buscopan na veia, alívio e algumas horas depois o cristal, sempre minúsculo, era expelido. Nessa crise houve o alívio, mas nada foi expelido. A dor depois de uns dias era menor, mas insistente. E diferente. Era uma dor aguda nas costas, do lado esquerdo. Um ultrassom constatou que a pedra era bem maior e ficou alojada no ureter esquerdo, exigindo um procedimento chamado urolitotripsia para ser removido. Nesse procedimento o médico usa os orifícios naturais do corpo (não sou mais virgem da uretra) para chegar até o cálculo e tentar destruí-lo. O povo chama de "laser", mas não é assim que a pedra é fragmentada. No final do procedimento é colocado o catéter duplo J.

O catéter é um canudo rígido de material plástico colocado no ureter, que é um canal que liga o rim à bexiga. Segundo meus urologistas o catéter é usado para que o ureter sofra o processo de cicatrização após a retirada de cálculos que ficaram presos ali. A urina produzida pelo rim é levada à bexiga através do catéter. Sem o catéter o ureter eventualmente ficaria obstruído pois as paredes do canal poderiam cicatrizar coladas uma à outra. Isso provocaria a hidronefrose, ou seja, o rim produz urina mas essa não passa à bexiga por causa da obstrução do canal, provocando inchaço no órgão, insuficiência renal, aumento de substâncias tóxicas no sangue e a perda do rim em casos mais graves. Aliás, esse é o mesmo quadro de quem fica com uma pedra entalada, como eu fiquei. Outra utilidade do catéter no meu caso foi alargar o ureter para que pedras parecidas com a que causou o problema passem por lá numa nova ocorrência sem provocar uma nova obstrução.

Minha primeira experiência com o catéter foi muito ruim. As outras duas foram só ruins. Nessa primeira vez o procedimento foi realizado em Santo André, no Hospital Beneficência Portuguesa. A impressão de que a intervenção foi feita apenas pra conseguir uma grana às minhas custas foi enorme. Não houve problemas na cirurgia, mas o período do pós operatório foi claramente esticado para que houvesse pelo menos uma diária a mais. Quando voltei para consultar o urologista do hospital que realizou a cirurgia tive uma surpresa bem desagradável que reforçou a impressão de que a cirurgia foi um caça-níqueis. O urologista disse que o plano não cobria as consultas com ele, mas ele "faria o favor" de retirar o catéter depois de duas semanas. 

Duas semanas depois retornei ao consultório e ele pediu a uma enfermeira que retirasse o catéter. O procedimento foi realizado sem anestesia. Ele havia deixado um fio que saia pela uretra, fio esse que estava amarrado na outra ponta ao catéter. A extração do catéter é simples: a enfermeira pediu o impossivel - que eu relaxasse - enquanto ela puxava lentamente a tal cordinha.  É extremamente dolorosa a retirada do catéter desta forma, pois não dá pra relaxar com uma pessoa arrancando um canudo de suas entranhas, e os esfíncteres da uretra travam mesmo. Doeu o cacete pra cacete. Perdoem a linguagem culta. O catéter tem algo em torno de 40 centímetros e 15 minutos de dor pra ser retirado dessa forma.

Depois de uns dois dias de desconforto tudo voltou ao normal, menos por um detalhe: a dor continuava idêntica. Aguardem o próximo capítulo para saber o que houve. Hoje eu já falei demais e sei que pouca gente gosta de texto grande.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Viver é perigoso

Inevitavelmente leva à morte. Ir de um ponto a outro é perigoso. Segundo dados da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) ocorreram em São Paulo de janeiro a outubro de 2008 1.212 mortes:

569 pedestres
386 motociclistas
202 motoristas ou passageiros
55 ciclistas

Em números aproximados, dois pedestres mortos por dia. Dez motociclistas por semana. Cinco pessoas usando carro mortos por semana. Um ciclista a cada cinco dias.

Por que família e amigos insistem tanto em pedir a mim e a outros amigos ciclistas para que paremos de usar bicicleta como meio de transporte quando ocorre um acidente grave? Nunca vi alguém pedir a amigos, parentes, companheiros, namorados a pensar sequer em parar de dirigir após um acidente automobilístico. Pelo contrário, afinal a vida continua, não é mesmo?  Mesmo que você tenha atropelado alguém é perfeitamente justo e natural que continue a dirigir. Foi só um acidente, você estava atento, respeitando todas as leis de trânsito, não é? Além do mais pedestre que atravessa fora da faixa merece morrer, e lugar de ciclista não é na rua. Desculpe a ironia, mas uma hora cansa a falta de vontade para raciocinar de uma sociedade educada a manter a cultura do carro em uma posição tão valorizada.

A CET provavelmente vai querer faturar créditos com a diminuição do número de mortes de ciclistas, que ultrapassava de 80 nos anos anteriores. Mas a CET não move um dedo sequer para melhorar a situação. Essa diminuição é única e exclusivamente resultado de um trabalho de conscientização que parte dos próprios ciclistas. Insisto na idéia: quando cada motorista tiver a consciência de que quem vai à frente pedalando pode ser um conhecido/amigo/parente esta situação vai melhorar. Ações da CET favoráveis a ciclistas só virão quando as cabeças que a comandam mudarem, seja com a mudança de idéias ou de pessoas.

Não quero que todo mundo ande de bicicleta. Sei que é complicado, exige preparo, esforço,tem que sair da zona de conforto, tem que ter força de vontade, coragem para quebrar paradigmas e enfrentar adversidades. Sei tudo isso. Mas quero uma coisa extremamente simples das pessoas que não têm coragem ou vontade de usar bicicleta como meio de transporte: respeito pela minha opção, respeito pela minha integridade física, respeito pela minha vida. Estou cuidando dela, como várias mensagens populares recomendam. Não fazer ao próximo o que não desejar a si mesmo. Simples assim. 


quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Corda Bamba

Man on Wire é um documentário belíssimo. Mais do que o relato de um feito extraordinário - andar num cabo içado clandestinamente entre as torres do World Trade Center - trata sobre a vida e como vivê-la com poesia. Assisti-o comovido na manhã de 14 de janeiro. O filme entrou em minha vida preparando-me para um dia muito triste. Minutos depois soube que uma grande amiga havia caído da corda bamba.

Recebi um email de minha mulher, que trabalha na Paulista: "uma ciclista foi atropelada aqui e morreu". Na hora lembrei-me dos amigos da Bicicletada. Mentira, pensei numa amiga apenas: Márcia. Márcia Regina de Andrade Prado. Pensei em como seria difícil perdê-la. E foi difícil. Minutos depois outro colega ciclista urbano foi ao local e reconheceu o corpo.

Conheci-a num passeio em que visitamos pontos de São Paulo citados no poema "Quando eu morrer", de Mário de Andrade: 

Quando eu morrer quero ficar, 
Não contem aos meus inimigos,
Sepultado em minha cidade, 
Saudade. 

Meus pés enterrem na rua Aurora, 
No Paissandu deixem meu sexo, 
Na Lopes Chaves a cabeça 
Esqueçam. 

No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano: 
Um coração vivo e um defunto 
Bem juntos.

Escondam no Correio o ouvido 
Direito, o esquerdo nos Telégrafos, 
Quero saber da vida alheia, 
Sereia.

O nariz guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade. 
Saudade...

Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade...

As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
Adeus.

Vi Márcia pela primeira vez no cemitério da Consolação, primeira parada do passeio e onde o poeta foi enterrado. Reparei no rosto quadrado e belo, a expressão serena e firme, o sorriso generoso. Uma dezena de quilômetros depois começamos a conversar. Na viagem seguinte, até Sorocaba, formamos par por quase toda a ida e dividimos o mesmo banco no ônibus na volta. Uma pessoa extraordinária, divertida, generosa. Uma ativista atuante e inteligente. Acreditava na poesia que é viver usando uma bicicleta como meio de transporte.

Derrubou-a da corda bamba um ônibus com uma manobra mal feita. Uma imperícia típica dos maus motoristas que não sabem que o código brasileiro de trânsito obriga o motorista a passar a bicicleta a 1,5 metro de distância e a uma velocidade compatível. Que não sabem que os veículos maiores devem cuidar dos menores e todos cuidam do pedestre. Mais: a preferência é sempre dos mais fracos: carroças, bicicletas e principalmente pedestres. Não por egoísmo destes, mas para preservar-lhes a vida e a integridade física. Um carro você conserta em horas, uma perna em meses. Uma vida... vai-se.

Márcia foi julgada, condenada e executada pelo motorista do ônibus. Pior, com a aprovação de muita gente "de bem". Para estes, lugar de bicicleta é na calçada. Felizmente esta idéia ultrapassada e egoísta está mudando. Tristemente fatos como este trazem o assunto à discussão. Agora que Nova Iorque está adotando medidas benéficas aos ciclistas é bem provável que a colônia abra os olhos a esta idéia.

Márcia lutava e continua lutando por uma vida melhor para nossos bisnetos. Cada vez mais a bicicleta será usada, até o ponto em que o motorista saberá que o ciclista à frente pode ser um conhecido, e não um dos pobres que não podem ter carro e ficam atrapalhando o trânsito, como o preconceito atual dita.

Até na morte foi ativista: doou seu corpo para pesquisa. Apenas corpos de indigentes tinham este destino. A burocracia não sabia como tratar com este fato, mas sua vontade foi respeitada. Não houve sepultamento. Hoje há onde ela caiu uma ghost bike sinalizando o respeito que nós, ciclistas urbanos, devotamos a ela.

Márcia morreu na Paulista avenida símbolo da cidade. Saudade. O corpo foi doado, o espírito será de Deus. 

Adeus


Importante: Os participantes da bicicletada não querem ciclovias, ao contrário do que a imprensa erroneamente e preguiçosamente insiste em divulgar e do que é senso comum. Queremos harmonia entre os componentes do trânsito. Aos realmente interessados recomendo a leitura do Manifesto dos Invisíveis, deste e mais este post de Mario Amaya, e uma visita ao já citado site da Bicicletada.

O A e o Z

O mundo gira, disse o homem vendo a lusitana rodar. Eu mudo. Todos falam. Não conseguia mais expressar idéias, não queria mais expressar idéias no antigo blog. Tive uma idéia besta genial: começar um novo. Não que eu vá ter uma grande produção por aqui, aliás nunca tive grande produção em lugar nenhum, mas é uma tentativa de quebrar o bloqueio. 

Amigos eu fiz e faço, amigos eu perco. E segue o barco, com aqueles que querem continuar nele. E com aqueles que eu deixo continuar.

Que venham as pedras!

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